Trump diz que liderança de Flávio no primeiro turno foi 'grande vitória'
Presidente dos Estados Unidos classificou vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas como grande vitória, mas disse que segundo turno deve ser "acirrado"; Trump foi questionado sobre resultado por repórteres ao sair da Casa Branca.
Por Marina Rossi, Iara Diniz e Pedro Martins, da BBC News Brasil em São Paulo e em Londres
PL lidera mapa dos governos estaduais após 1º turno
Dos 27 governos estaduais, 20 foram definidos já no primeiro turno — o maior número desde a redemocratização.
O PL elegeu 5 governadores, seguido pelo PSD, com 4. PT e Republicanos elegeram 3 cada.
Já PP ficou com 2 governos, enquanto MDB, Podemos e PSDB elegeram 1 governador cada.
Outros 7 governos ainda serão definidos no segundo turno, em 25 de outubro: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Os números podem mudar, especialmente no Rio de Janeiro, onde há uma disputa judicial envolvendo a validade dos votos de Anthony Garotinho.
Douglas Ruas (PL) pode ser declarado eleito no primeiro turno se o TSE aceitar a desistência do recurso de Garotinho, contabilizando mais um governo do PL.
Confira no mapa os governos eleitos por partidos.
Marco Rubio diz que quer ver como a eleição brasileira 'se desenrola'
Legenda do vídeo, Secretário de estado do governo Trump disse que segue acompanhando eleição no Brasil
Marco Rubio, um dos principais nomes do governo de Donald Trump, disse que quer ver "como as coisas se desenrolam" na disputa pela Presidência da República brasileira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O Secretário de Estado americano disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (5/10) que "todos esperavam" por um segundo turno e que os Estados Unidos acompanham os resultados.
Rubio, vale lembrar, é descendente de imigrantes cubanos e se tornou um dos nomes centrais do governo Trump no que diz respeito às relações dos EUA com países da América Latina.
Leia também: Marco Rubio — quem é o secretário 'linha-dura' que Trump escolheu para negociar tarifa com Brasil
Assista: Os Estados Unidos estão tentando interferir na eleição brasileira?
Para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado?
Crédito, Renato Pizzutto/Band
Com a definição da disputa no segundo turno entre Lula e Flávio, a expectativa agora é saber para onde devem ir os outros cerca de 9,3 milhões de votos conquistados pelos demais candidatos.
Ontem, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% da preferência do eleitorado por Lula. Foi o resultado mais apertado em um primeiro turno desde a redemocratização, em 1989.
Na chamada "terceira via", Augusto Cury (Avante) teve 2,89% dos votos válidos, enquanto Renan Santos (Missão) somou 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%.
Além deles, também disputaram as eleições Romeu Zema (Novo, com 0,27% dos votos), Samara Martins (UP, com 0,10%), Hertz Dias (PSTU, com 0,04%), Clariana Barão (DC, com 0,03%), Edmilson Costa (PCB, com 0,02%), Rui Costa Pimenta (PCB, com 0,01%) e Wilson Grassi (Democrata, com 0,01%).
Flávio x Lula: o que separa (e o que une) os projetos que vão ao 2º turno
Crédito, Getty Images
Daqui a três semanas, o eleitor vai escolher entre dois projetos de país bem diferentes. É o que mostram os programas de governo que Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as posições que os dois vêm defendendo publicamente.
Na economia, a diferença começa no papel do Estado. Lula quer um governo mais ativo para estimular o crescimento e reduzir desigualdades, com os mais ricos pagando proporcionalmente mais impostos. Flávio aposta na iniciativa privada: corte de gastos, privatizações, menos ministérios e menos impostos.
Na segurança pública, o programa de Lula foca em sufocar financeiramente as facções e investir em inteligência. Já Flávio quer endurecer as penas, reduzir a maioridade penal para 16 anos, classificar facções como PCC e Comando Vermelho como "organizações narcoterroristas" e construir presídios de segurança máxima inspirados nos de El Salvador.
Netanyahu parabeniza Flávio e fala em 'restaurar' amizade com o Brasil
Crédito, Reprodução/Redes Sociais
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também parabenizou Flávio Bolsonaro (PL) pelo resultado do primeiro turno. Em publicação nas redes sociais, Netanyahu desejou "boa sorte na final" ao senador e disse estar ansioso para "restaurar a extraordinária amizade entre Israel e o Brasil".
A mensagem é uma referência aos anos de atrito entre os dois países durante o governo Lula (PT). O presidente brasileiro se tornou um dos críticos mais duros da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que classifica como "genocídio".
Em 2024, depois de Lula comparar as ações de Israel em Gaza ao extermínio de judeus pelo regime nazista, o governo israelense o declarou persona non grata, e o Brasil chamou de volta seu embaixador em Tel Aviv.
Já a família Bolsonaro mantém uma relação próxima com Netanyahu. Jair Bolsonaro visitou Israel em 2019, durante seu mandato, e o programa de governo de Flávio fala em reconstruir as relações com o país.
Leia também: Sionismo cristão: por que evangélicos empunham a bandeira de Israel
Trump menciona eleição brasileira, mas não cita candidatos
O presidente americano Donald Trump citou a eleição brasileira em sua rede social.
"125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram pouco tempo depois do encerramento da votação, no mesmo dia!", escreveu o americano na rede Truth Social.
Em seguida, Trump fez críticas ao sistema eleitoral dos Estados Unidos.
"Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e várias outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, frequentemente demoram semanas para serem fraudados - quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é corrupta!", continuou.
A decisão ocorreu na tarde desta segunda-feira, depois de o candidato ter disputado e perdido a votação para o governo do estado do Rio de Janeiro.
Seu nome constava nas urnas, mas como "sub judice", isto é, estava ainda em análise pela Justiça Eleitoral.
Agora, Garotinho abre espaço para Douglas Ruas, candidato do PL que deve ser proclamado vencedor do pleito fluminense ainda no primeiro turno, visto que, uma vez excluídos os votos de Garotinho (3,17%), Ruas atingiria mais de 50% dos votos válidos.
Ruas já tinha 49,27% da preferência do eleitorado, e o segundo colocado do pleito, Eduardo Paes, do PSD, somou 42,76%. Nesta situação, haveria um segundo turno, mas agora ele tem chances de não acontecer mais.
Crédito, Mauro Pimentel/AFP via Getty Images
Legenda da foto, Anthony Garotinho
Para ter validade e mudar o rumo do pleito fluminense, a decisão precisa ser formalizada pela Justiça Eleitoral, que não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
O registro da candidatura de Garotinho foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro devido a uma condenação por improbidade administrativa.
A defesa do ex-governador, contudo, afirmou que o período de inelegibilidade teria se encerrado em julho, motivo pelo qual havia recorrido do indeferimento.
Como votaram as capitais brasileiras no primeiro turno
Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente em 16 das 27 capitais, incluindo Brasília. Lula (PT) venceu em 11.
O senador venceu em 6 das 7 capitais do Norte — a exceção foi Belém. Ele também ganhou nas 4 capitais do Centro-Oeste.
Já o presidente Lula venceu em 8 das 9 capitais do Nordeste — a exceção foi Maceió.
No Sudeste, a única capital que deu vitória a Lula foi São Paulo. Já no Sul, o presidente ganhou em Porto Alegre.
Expectativa de ajuste fiscal e esquerda sem sucessor após Lula alimentam euforia da bolsa e do dólar, dizem economistas
Crédito, Getty Images
Os mercados financeiros brasileiros vivem um dia de euforia nesta segunda-feira (5/10), após o inesperado resultado do 1º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, bateu o recorde histórico por volta da 10h40, aos 209,6 mil pontos. Há pouco, o índice operava em alta de 8,75%, aos 208,9 mil pontos.
Já o dólar comercial operava em queda de 4,32%, cotado a R$ 4,99, tendo chegado mais cedo abaixo de R$ 4,95.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a forte reação positiva do mercado se deve em parte ao inesperado do resultado.
"Sera assim ainda nos próximos dias, e se as pesquisas confirmarem uma distância ainda maior do Flávio em relação ao Lula haverá novo rali", prevê Vale. "Rali" é a expressão usada no mercado financeiro para um período de alta forte e rápida nos preços das ações.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, não é apenas a vantagem de Flávio que explica o forte desempenho dos ativos domésticos, mas uma combinação de fatores.
Dentre eles, ele cita a expectativa de um ambiente mais propenso para um ajuste fiscal e a visão de que, se Lula for derrotado no segundo turno, a esquerda ficará sem sucessor nos próximos anos.
"Temos três fatores na nossa avaliação [para o rali dos mercado nesta segunda-feira]: a agenda fiscalista de Flávio; a composição mais ortodoxa do Congresso, que dentre diversas coisas viabilizaria um ajuste fiscal e reformas estruturantes necessárias; e a potencial ultima eleição em que Lula participará, deixando a esquerda sem sucessor e mitigando a possibilidade alternância tão em breve para um novo desarranjo expansionista", diz Sanchez.
Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a bancada de direita na Câmara dos Deputados cresceu de 248 para 260 deputados — um ganho de 12 cadeiras em relação a 2022 —, enquanto os campos de centro e centro-esquerda encolheram.
No Senado, o movimento foi mais expressivo ainda: a bancada de direita aumentou de 32 para 48 senadores, de acordo com a análise do Diap.
Vale observa, porém, que ainda não é certo que Flávio vá de fato fazer um ajuste fiscal, se eleito.
"Vai depender das escolhas na Fazenda especialmente", afirma. "Não é um ajuste fiscal simples pela frente e vai precisar de alguém com articulação no Congresso pra aprovar tudo que se precisa."
Ele também avalia que existe um risco concreto de que Flávio, uma vez na presidência, desperdice a oportunidade de ajustar as contas públicas, gastando energia com a tentativa de livrar seu pai da prisão, uma de suas principais promessas de campanha.
"Isso é um grande risco e se for por aí vamos perder um tempo precioso para os ajustes. Seria um enorme erro", avalia.
Para Sanchez, da Ativa Investimentos, a volatilidade nos mercados financeiros deve se manter nas próximas semanas.
"Depois que concretizado o resultado das eleições presidenciais, deveremos assistir um novo movimento, seja no sentido que estamos assistindo caso o Flávio venha a vencer, ou no sentido contrario caso o Lula seja reeleito", prevê.
"Mas vale destacar que as incertezas ainda são grandes, apenas se reduziram. O que significa que ainda deveremos assistir alguma volatilidade."
Como cearenses derrubaram Tiririca após 14 anos eleito por SP
Crédito, Câmara dos Deputados
Conhecido pelo bordão "Pior que tá, não fica", o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PSD), não conseguiu se reeleger deputado federal nas eleições deste domingo (4/10).
Depois de ser o deputado mais votado de 2010, com mais de 1,3 milhão de votos em São Paulo em 2010, e se reeleger mais três vezes pelo Estado, Tiririca decidiu mudar de partido e transferir sua candidatura para sua terra natal, o Ceará.
Não deu certo: ele obteve 5.523 votos em sua primeira disputa no Estado nordestino, bem longe do necessário para ocupar uma das 22 cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados.
É a primeira derrota de Tiririca nas urnas, que deixará o cargo ao fim da atual legislatura, em 31 de janeiro de 2027.
Bolsa dispara e dólar cai abaixo de R$ 5 após 1º turno
A bolsa de valores brasileira continua em forte alta nesta segunda-feira (5/10), em reação ao resultado do primeiro turno das eleições.
O Ibovespa, principal índice da bolsa, operava em alta de 8,45%, aos 208.339 pontos, por volta das 13h45. Mais cedo, o índice chegou a subir 9,10%, aos 209.605 pontos, estabelecendo um novo recorde intradiário.
O dólar, que chegou a cair cerca de 5% e ser negociado a R$ 4,95, também reduziu parte das perdas e oscilava em torno de R$ 5.
A reação dos mercados ocorre após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula (PT). Parte dos analistas relaciona a alta à expectativa de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas em um eventual governo de Flávio.
Ao jornal britânico Financial Times, o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, disse que a perspectiva de uma política fiscal mais rígida deve ser bem recebida pelos investidores.
O movimento lembra o de 2022: no dia seguinte ao primeiro turno daquela eleição, em que Jair Bolsonaro teve desempenho acima do previsto pelas pesquisas, a bolsa subiu quase 5% e o dólar caiu mais de 4%.
PF apreende meio milhão de reais em dinheiro relacionados a crimes eleitorais
A Polícia Federal divulgou agora o balanço da atuação nas eleições de ontem.
Ao todo, 204 pessoas foram conduzidas e foram apreendidos R$ 2.852.313,60 em bens e valores, sendo R$ 520.497,50 em espécie.
As ocorrências foram registradas nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas, Espírito Santo, Pernambuco, Minas Gerais, Sergipe, Roraima, Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão, Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraíba, Santa Catarina, Piauí, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal.
Entre os principais crimes apurados estão a propaganda eleitoral irregular e a corrupção eleitoral, especialmente a compra de votos.
Continue acompanhando nossa cobertura
Boa tarde!
Continue acompanhando a cobertura ao vivo da BBC News Brasil do dia seguinte ao primeiro turno das eleições.
O resultado contrariou as pesquisas, que davam leve vantagem ao petista. Lula classificou o resultado como inesperado, e Flávio disse que ele mostra que o Brasil quer mudança.
Ao longo do dia, acompanhe aqui as reações dos candidatos e de seus aliados, a repercussão no Brasil e no exterior, as primeiras movimentações para o segundo turno e análises sobre o que o resultado das urnas diz sobre o país.
Resumão: o que aconteceu na votação de domingo
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições em 25 de outubro
Com 100% das urnas apuradas, Bolsonaro teve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula
Petista teve 3,5 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022
Já Flávio Bolsonaro teve 5 milhões de votos a mais que o pai no primeiro turno de 2022
Flávio Bolsonaro vence em 8 de 10 cidades chamadas Aparecida
Crédito, Getty Images
Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Lula no primeiro turno das eleições em Aparecida (SP), repetindo a vitória de seu pai no primeiro turno de 2022 no município onde está localizado o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Com 100% de urnas apuradas, o senador teve 58,30% na cidade, contra 32,12% de Lula (PT) no primeiro turno das eleições de 2026.
No primeiro turno de 2022, Jair Bolsonaro (PL) também havia superado Lula na cidade, com 55,51% a 33,50% de Lula.
O senador venceu em oito dos dez municípios do Brasil que homenageiam a padroeira: além de Aparecida (SP), também ficou em primeiro em Aparecida de Goiânia (GO), Aparecida do Rio Doce (GO), Aparecida do Rio Negro (TO), Aparecida do Taboado (MS), Aparecida d'Oeste (SP), Boa Vista da Aparecida (PR) e Conceição da Aparecida (MG).
Lula só venceu nos dois municípios que prestam honras à santa no nome que ficam localizados no Nordeste: Aparecida (PB) e Nossa Senhora Aparecida (SE).
Com 100% das urnas apuradas, os dados do TSE mostram que 125,3 milhões de brasileiros compareceram às urnas no domingo. E mais de 33,4 milhões de brasileiros não foram votar — o equivalente a 21,08% do eleitorado apto.
Além disso, 2,3 milhões de eleitores votaram em branco, o equivalente a 1,84% dos votos. Os votos nulos representaram 2,93% do eleitorado, somando mais de 3,6 milhões. Juntos, brancos e nulos corresponderam a 4,77% — ou quase 6 milhões de votos.
De um eleitorado de 158,7 milhões de pessoas aptas a votarem, foram registrados 119 milhões de votos válidos.
No primeiro turno, a diferença de votos entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva foi de 2,2 milhões.
Javier Milei parabeniza Flávio e fala em 'eleição histórica'
O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou Flávio Bolsonaro (PL) pelo resultado do primeiro turno. Em publicação nas redes sociais na noite deste domingo (4/10), Milei chamou o senador de "querido amigo" e classificou a disputa como "uma eleição histórica contra o comunista Lula".
Na mensagem, o argentino também disse esperar trabalhar em breve com Flávio para que Argentina e Brasil "continuem sendo grandes parceiros comerciais, culturais e políticos".
Milei é aliado político da família Bolsonaro e já declarou apoio a Jair Bolsonaro em outras ocasiões.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro.
Crédito, Reprodução/Redes Sociais
'Virada surpreendente': como a imprensa internacional repercutiu o 1º turno
Clarín, Argentina
O jornal argentino Clarín falou em "uma virada surpreendente e dramática".
O Clarín deu destaque à abstenção, de cerca de 21%, e a interpretou como um voto de castigo dos eleitores de baixa renda, tradicionalmente fiéis a Lula, sufocados por dívidas. Segundo o jornal, oito em cada dez famílias recorrem a empréstimos para cobrir necessidades básicas.
Le Monde, França
O francês Le Monde observou que, assim como em 2018, as pesquisas subestimaram a força da direita.
O jornal também destacou duas vitórias emblemáticas nos Estados. Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo com mais de 60% dos votos, em uma derrota dura para Fernando Haddad, e Sergio Moro, o juiz que condenou Lula em primeira instância, foi eleito governador do Paraná.
Financial Times, Reino Unido
Para o britânico Financial Times, Flávio larga em vantagem para o segundo turno, já que a maioria dos outros candidatos do primeiro turno vem de partidos de direita.
O Financial Times destacou a reação esperada dos investidores. Segundo William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, o resultado deve ser bem recebido diante da perspectiva de uma política fiscal mais rígida sob Bolsonaro. Ele considera plausível uma forte alta do real e da bolsa nos próximos dias.
Fundo ligado a ações brasileiras dispara 12% na Ásia
Article Information
Author, Daniel Gallas
Role, Da BBC News Brasil em Londres
Um fundo de investimento negociado no mercado japonês que replica ações brasileiras teve forte alta nesta segunda-feira.
O NEXT FUNDS Ibovespa Linked Exchange Traded Fund é um "exchange traded fund" — que agrupa ações brasileiras com preço convertido em iene. Ele é usado para investidores no Japão terem exposição a ativos do Brasil.
Nesta segunda-feira, o valor do fundo saltou 12% em relação à sexta-feira — de 294,70 pontos para 331 no fechamento.
No Brasil, há expectativa entre investidores com a abertura do mercado, às 10h.
A agência de notícias Reuters afirmou que os investidores se preparam "para uma forte reação do mercado depois que o senador de direita Flávio Bolsonaro superou as expectativas no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, e garantiu a disputa do segundo turno contra o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva".
Na sexta-feira, o índice Bovespa havia fechado em 192.114,55 pontos — o valor mais alto em cinco meses. O valor ainda está abaixo do recorde do ano — 198.657,33 pontos, atingido em 14 de abril.