Na programa ao vivo da BBC News Brasil, o analista político Creomar de Souza lembra que nunca houve na disputa pela Presidência uma virada em segundo turno. Com 91,5% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tem 47,9% e Lula tem 44,1%.
"O desenho se torna muito, muito difícil para o presidente Lula. Lembrando que, em termos históricos, a gente nunca viu uma virada em um segundo turno das eleições no Brasil. Nunca um segundo colocado conseguiu vencer a eleição", afirmou.
Para Creomar, o resultado preliminar mostra um cenário de desgaste da própria figura do presidente e, em determinado sentido, do PT também.
"A estratégia do Lula foi feita olhando para o passado, naquilo que era legado, naquilo que foram as conquistas históricas, naquilo que, em algum sentido, funcionou quatro anos atrás", afirma.
"Já a campanha de Flávio foi muito eficaz, sobretudo nos últimos sete dias, em dizer que, no fim, não era sobre Flávio Bolsonaro: era sobre desalojar Lula do poder. E isso se somou a outros elementos estratégicos, como a insistência em assuntos do cotidiano, como o preço da carne, do arroz e do feijão".
E soma-se a isso, diz o analista, uma guinada do eleitorado brasileiro à direita.
"Mais do que o eleitor dizer que quer Flávio, ele diz que não quer o PT e não quer aquilo que a esquerda foi se tornando ao longo dos últimos anos", afirma.
O desafio de Lula no segundo turno, de acordo com ele, será falar com não convertidos.
"Lula venceu três eleições com uma característica muito robusta. Em cada uma das suas três vitórias, ele deu uma sinalização para o eleitor que não é petista ou não é progressista de carteirinha: a Carta aos Brasileiros, o convite ao Geraldo Alckmin', afirma.
"Essa é a diferença. Em 2026, toda a estratégia e o desenho de Lula ficaram, em termos históricos, muito próximos do que foi a campanha de 1989, que é a primeira derrota de Lula. E a grande característica ali era só falar com a bolha."