Homem-bomba disfarçado de repórter faz maior ataque a jornalistas no Afeganistão desde 2001

Forças de segurança na área onde ocorreram as duas explosões, em Cabul
Legenda da foto, Segunda explosão ocorreu alguns minutos depois da primeira, quando jornalistas se reuniram no local para reportar o ocorrido
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Pelo menos 26 pessoas morreram em dois ataques à bomba em Cabul, capital do Afeganistão, nesta segunda-feira. Entre as vítimas, estão pelo menos oito jornalistas que trabalhavam em reportagens sobre a primeira detonação.

Também nesta segunda-feira, em um ataque diferente na região afegã de Khost, morreu o repórter da BBC Ahmad Shah.

É o dia mais fatal para jornalistas no Afeganistão desde a queda do Talebã, em 2001. Este é também o pior ataque a jornalistas em um único episódio no mundo desde 2009, quando 31 profissionais foram mortos em um massacre nas Filipinas.

Em Cabul, os ataques ocorreram no distrito de Shashdarak, que abriga o Serviço de Inteligência Afegão e outros prédios governamentais. A primeira explosão foi detonada por uma pessoa que estava de moto.

Em seguida, a polícia fez um bloqueio no local e jornalistas se juntaram para reportar o ocorrido. O homem-bomba teria, então, apresentado uma credencial de imprensa para a polícia antes de se juntar ao grupo de profissionais, disse o porta-voz do Ministério do Interior do Afeganistão, segundo a Reuters.

"O homem-bomba se disfarçou de jornalista e se detonou no meio da multidão", disse um porta-voz da polícia local ouvido pela AFP.

O grupo autodenominado Estado Islâmico reivindicou a autoria das duas explosões.

Até agora, há relatos de cerca de 50 feridos.

Legenda do vídeo, A segunda explosão foi direcionada a aqueles que estavam na cena da primeira detonação

Jornalistas mortos

Entre os jornalistas mortos no ataque de Cabul estão o chefe de fotografia em Cabul da agência AFP, Shah Marai, três jornalistas da Radio Free Europe/Radio Libertyu, um jornalista da Tolo News, além de dois jornalistas da 1TV do Afeganistão.

A respeito de Shah Marai, que trabalhava na AFP há 22 anos, a agência declarou: "A única coisa que podemos fazer é honrar a extraordinária força, coragem e generosidade de um fotógrafo que cobriu eventos traumáticos e horríves com sensibilidade e profissionalismo".

"Estou me sentindo ultrajado pelo ataque, que parece ter sido direcionado a jornalistas. Esse ataque, ocorrido há alguns dias do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, é um ataque à liberdade de expressão", disse o representante da ONU no Afeganistão, Tadamichi Yamamoto.

Amigos e familiares carregam o caixão de Shah Marai, jornalista senior da AFP no Afeganistão, morto no ataque
Legenda da foto, Amigos e familiares carregam o caixão de Shah Marai, jornalista senior da AFP no Afeganistão, morto no ataque

Outros ataques

Pelo menos outros dois ataques ocorreram nesta segunda-feira em outras regiões do Afeganistão. Em um deles, na região de Khost, o repórter da BBC Ahmad Shah morreu. Ele tinha 29 anos e estava trabalhando no serviço da BBC no Afeganistão havia mais de um ano. Era descrito como um membro querido e respeitado da equipe.

"É com grande tristeza que a BBC confirma a morte do repórter Ahmad Shah em seguida do ataque realizado nesta manhã", disse Jamie Angus, diretor do serviço mundial da BBC. "É uma perda devastadora e eu envio minhas sinceras condolências para a família de Ahmad Shad e para toda a equipe da BBC no Afeganistão. Estamos fazendo tudo que podemos para apoiar a família nesse momento difícil".

Outro ataque à bomba ocorreu na província de Kandahar, matando pelo menos 11 crianças, segundo a polícia local. Um homem dirigiu uma van com explosivos em um comboio da Nato (Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar entre países da América do Norte e da Europa, principalmente). As crianças estavam estudando em uma escola próxima. Nenhum grupo reivindicou a autoria desse ataque.

Ataques à bomba no Afeganistão não são incomuns. No começo de abril, um ataque suicida reivindicado pelo Estado Islâmico em um local de votações matou pelo menos 60 pessoas e feriu outras 119. O Talebã ainda está ativo no país. De acordo com pesquisa publicada pela BBC no começo deste ano, apenas 30% do país está sob controle do governo oficial.

Menina afegã procura objetos em meio a entulho na periferia de Cabul
Legenda da foto, Foto de Shah Marai, jornalista da AFP morto no segundo ataque de Cabul desta segunda-feira, mostra uma menina em afegã em 2011