Trump diz ter fechado 'maior acordo petrolífero da história' com a Venezuela, envolvendo 65 bilhões de barris

Trump falando, com olhar sério, em ambiente interno (aparentemente na Casa Branca)

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O presidente americano não explicou o significa ter 'controle majoritário' sobre barris de petróleo e nem o que a Venezuela ganharia em troca com o acordo
    • Author, Redação
    • Role, BBC News Mundo
  • Published
  • Tempo de leitura: 3 min

O presidente americano Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (28/08) um acordo com a Venezuela que concederia aos Estados Unidos o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de petróleo, vindos de reservas comprovadas.

Trump chamou o pacto de "o maior acordo petrolífero de todos os tempos".

Segundo o republicano, o acordo foi negociado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por empresas privadas.

"Eles garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano", escreveu o presidente em sua rede social, a Truth Social.

O presidente não explicou o significado jurídico de "controle majoritário", quais empresas privadas participam do acordo e quais campos de petróleo estão incluídos.

Até o momento, o governo venezuelano não confirmou publicamente o anúncio, nem foram divulgados documentos que detalhem os termos do acordo.

Em suas redes sociais, Marco Rubio disse que o acordo levará ao "povo venezuelano" quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, mais empregos e a reconstrução da economia nacional.

Já Trump afirmou que, com o que foi negociado, as reservas de petróleo dos EUA "mais que dobrarão", aumentando a oferta e permitindo uma redução substancial e a longo prazo no preço da gasolina em território americano.

A notícia surge um dia depois de a imprensa dos EUA ter publicado informações acerca de negociações entre Washington e Caracas sobre mais de uma dezena de campos petrolíferos venezuelanos.

A agência Reuters noticiou na quinta-feira (27/08), citando fontes familiarizadas com as negociações, que os dois governos estavam preparando um acordo para garantir aos EUA acesso a longo prazo a uma parte das reservas de petróleo da Venezuela.

A Reuters afirmou ter analisado uma lista de 17 campos de petróleo incluídos nas negociações, entre eles campos ainda não explorados na Faixa do Orinoco e campos mais antigos localizados ao redor do Lago Maracaibo.

De acordo com as fontes, o plano permitiria que empresas americanas desenvolvessem esses campos e garantiria aos Estados Unidos o fornecimento do petróleo resultante.

Uma fonte indicou que um modelo de arrendamento estava sendo considerado, seguido por processos de licitação para conceder os campos a produtores americanos.

A reportagem da Reuters alertou que esse modelo poderia gerar contestações legais na Venezuela, já que a legislação do país não permite atualmente o arrendamento de campos de petróleo, e a Constituição reserva as atividades essenciais do setor para o Estado.

Reformas aprovadas recentemente permitem joint ventures (associação entre empresas) e acordos de partilha de produção.

A BBC não conseguiu verificar de forma independente a ocorrência dessas negociações.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Bombas de extração de petróleo em área aberta, com grama e lama

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A Venezuela tem enormes reservas de petróleo, mas precisa de investimentos para aumentar sua extração

Falar em "reserva comprovada" indica não apenas a existência física do petróleo, mas também a probabilidade de 90% de recuperação econômica e técnica considerando a tecnologia disponível.

Há pouco mais de duas décadas, o país sul-americano produzia mais de três milhões de barris por dia, mas a produção despencou nos anos seguintes devido a fatores como a falta de investimentos, a deterioração da infraestrutura, problemas operacionais e sanções internacionais.

Nos últimos anos, houve uma recuperação parcial — atualmente, a produção gira em torno de 1,25 milhão de barris por dia, ainda menos da metade do seu pico histórico.

O setor necessita de investimentos substanciais para modernizar poços, oleodutos, refinarias e portos.

Desde a captura e o envio do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro para os Estados Unidos em janeiro, Washington tem buscado garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para suas refinarias e incentivar o investimento de empresas americanas na indústria petrolífera do país sul-americano.