AGU pede a Fachin que suspenda afastamento de Andrei Rodrigues da PF: o que aconteceu na guerra Mendonça x Moraes nesta terça

Ministro André Mendonça pediu o afastamento de Andrei Rodrigues da PF e levou decisão à Segunda Turma do Supremo. Dois ministros votaram por manter determinação, formando maioria na decisão, mas Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu julgamento.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Mendonça cita '1984', de George Orwell, em decisão

    1984

    Na decisão de Mendonça que pediu o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Polícia Federal, o ministro cita a obra 1984, de Geroge Orwell.

    "Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos “relatórios de inteligência” em questão, o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas."

    A obra, lançada em 1949, é um romance distópico cujo enredo carrega uma contundente crítica ao autoritarismo e à manipulação da verdade.

    Muitos chegaram a evocar o livro para críticar a imposição de medidas sanitárias durante a pandemia, como lockdowns, restrições de deslocamento e uso obrigatório de máscaras.

    No livro de Orwell, o Ministério da Verdade é um dos quatro que compõem o governo do fictício Estado totalitário de Oceânia.

    A pasta é a responsável pela propaganda e pela falsificação de documentos históricos, garantindo a narrativa pró-governo. Sua função principal é alterar registros para que estes espelhem a versão oficial da história promovida pelo Partido — garantindo que a instituição sempre esteja certa e a sua narrativa seja a única verdade.

    Pessoalmente, o escritor inglês se definia como “socialista democrático”. Orwell, no entanto, fazia críticas duras ao stalinismo, o socialismo implantado na União Soviética de viés autoritário.

  2. Candidatos à Presidência se pronunciam sobre afastamento de chefe da PF

    Até o momento, alguns candidatos à Presidência da República já comentaram os desdobramentos da crise no STF nesta segunda.

    Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que a decisão de Mendonça foi "firme e corajosa".

    "Quem me conhece sabe que sempre defendi lei e ordem caminhando juntas, sem espaço para politização. As instituições de Estado precisam agir com total imparcialidade e respeito rigoroso à Constituição. É assim que uma autoridade de verdade exerce o seu papel", publicou no X.

    Renan Santos (Missão) comemorou a queda de Rodrigues, mas aproveitou para atacar tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.

    "Eu tô vendo agora bolsonaristas comemorando, mas o que vocês estão comemorando? Vocês estão comemorando que caiu o Andrei Rodrigues porque ele tinha ligações com o Daniel Vorcaro, então tinha que cair o candidato de vocês também, né? E lulistas estão preocupados, mas tinham que estar preocupados também com relação ao próprio Lula com isso", disse em um vídeo.

    Já Romeu Zema (Novo) lembrou que o afastamento do chefe da PF foi feito com base num pedido de seu partido.

    "A decisão foi tomada com base no pedido do Partido Novo, após um relatório de 200 páginas encontrar menções ao Andrei no celular do Vorcaro. Enquanto muitos falam, a gente faz. E seguiremos firmes contra os intocáveis", afirmou.

  3. Ministro de Lula diz que medida de Mendonça é 'descabida' e tem 'cheiro eleitoral'

    O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, foi a uma rede social se pronunciar sobre o afastamento de Andrei Neto e Leando Almada da PF.

    Para ele, a medida tem "cheiro eleitoral", é "descabida" e uma "intromissão".

    "Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência a decisão do Ministro André Mendonça no que tange o pedido de afastamento do delegado da polícia federal é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências", escreveu Guimarães na rede social X.

  4. Decisão de Mendonça afasta também delegado que investigou morte de Marielle Franco

    Leandro Almada

    O delegado Leandro Almada também foi afetado pela decisão de André Mendonça e está afastado da PF.

    Almada ficou conhecido nacionalmente por ter feito parte do grupo de policiais federais criado para atuar no caso da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

    Ele também ganhou notoriedade por comandar a Superintendência da PF no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024. Almada também já comandou as superintendências da PF no Amazonas e na Bahia.

  5. Número 2 da PF sai em defesa de Andrei: 'Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier'

    William Marcel Murad

    O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad fez defesa pública do diretor-geral Andrei Rodrigues.

    Murad, o segundo na hierarquia da corporação, disse, durante discurso na cerimônia de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agente de Polícia Federal, que a instituição resistirá a "ataques".

    "Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", disse.

    "Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, e comprometidos exclusivamente com o interesse público nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá."

    Murad se pronunciou no Teatro de Arena da Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília.

    Andrei Rodrigues era a autoridade esperada para abrir formalmente o curso de formação de novos agentes, mas não compareceu.

  6. Caso Master pode ser anulado por causa de crise entre ministros do STF?

    Edifício do Banco Master protegido por tapumes e com a logomarca do banco coberta por plástico, em São Paulo,

    A crise sem precedentes vivida pelo STF, com troca de alegações e pedidos de investigação entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, tem gerado questionamentos sobre uma possível anulação do caso que investiga o Banco Master.

    Caso mais famoso, a Lava Jato se desmantelou após o vazamento de conversas do celular do então chefe da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol, mostrar interações suspeitas entre ele e o juiz Sergio Moro, em 2019.

    Depois, o STF considerou que Moro não agiu com imparcialidade e anulou uma série de processos criminais, incluindo as condenações do presidente Lula.

    Especialistas consultados pela BBC News Brasil respondem sobre os rumos que essa crise pode tomar. Leia a reportagem completa aqui.

  7. Segunda Turma do Supremo tem maioria pelo afastamento do diretor da PF

    O pedido de André Mendonça, pelo afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal, teve maioria na Segunda Turma. Isso significa que o afastamento está mantido.

  8. Supremo tem maioria pelo afastamento de Andrei Rodrigues; o que aconteceu até agora

    Se você está chegando agora, essas são as principais informações que precisa saber sobre o agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal:

    • O ministro André Mendonça, do STF, pediu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
    • Mendonça também pediu uma sessão virtual extraordinária na Segunda Turma do Supremo para deliberar sobre seu pedido.
    • A sessão já aconteceu e durou poucos minutos, já que o ministro Gilmar Mendes pediu mais tempo para analisar o processo, suspendendo o julgamento.
    • No entanto, dois ministros adiantaram seus votos: Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram com o relator, André Mendonça, pelo afastamento de Andrei Rodrigues.
    • Assim, a Segunda Turma, formada por cinco ministros, já tem maioria pelo afastamento de Rodrigues.
    • O estopim da crise na semana passada, quando Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia informações sobre as interações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
    • Os diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
    • Moraes então reagiu e pediu ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que analisasse acusações contra o colega da Corte por irregularidades na condução de inquéritos.
    • Em despacho no âmbito do Inquérito das Fake News, do qual é relator, Moraes apresentou relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, indicariam que Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de ter comprometido a "imparcialidade judicial" e favorecido "determinados grupos políticos" ao atuar como relator de casos envolvendo o escândalo do INSS e o Banco Master.
    • Diante disso, o presidente da Corte, Edson Fachin, solicitou formalmente esclarecimentos a Moraes e Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues. O presidente do STF deu prazo de cinco dias para que os envolvidos se manifestassem sobre a crise.
    • Na sexta-feira, Fachin retirou a análise contra Mendonça do caso do âmbito do inquérito das Fake News.
  9. O pedido de vista feito por Gilmar Mendes suspende o julgamento.

    No entanto, outros dois ministros adiataram o voto: Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram com o relator, André Mendonça, pelo afastamento de Andrei Rodrigues da PF.

    Como a Segunda Turma é formada por cinco ministros, já há maioria pelo afastamento de Rodrigues.

  10. Gilmar Mendes pede vista no processo

    Gilmar Mendes com expressão séria

    Na sessão extraordinária do Supremo agora pela manhã, o ministro Gilmar Mendes pediu vista no processo que pede a saída de Andrei Rodrigues da Polícia Federal.

  11. Entenda a escalada da crise no Supremo

    O estopim da crise no Supremo ocorreu no início da semana passada, quando o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia informações sobre as interações entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

    Os diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

    Em despacho no âmbito do Inquérito das Fake News, do qual é relator, Moraes apresentou relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, indicariam que Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de ter comprometido a "imparcialidade judicial" e favorecido "determinados grupos políticos" ao atuar como relator de casos envolvendo o escândalo do INSS e o Banco Master.

    Entre as situações, o despacho acusa Mendonça de ter ordenado "diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o ministro Alexandre de Moraes".

    Diante disso, Fachin solicitou formalmente esclarecimentos a Moraes e Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O presidente do STF deu prazo de cinco dias para que os envolvidos se manifestassem sobre a crise.

    Na sexta-feira (4/9), Fachin retirou a análise contra Mendonça do caso do âmbito do inquérito das Fake News. No mesmo dia, durante evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a crise no tribunal reforçava a necessidade de encerrar a investigação.

  12. Mendonça menciona 'monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte'

    Em sua decisão desta terça, Mendonça afirma que Andrei Rodrigues, como diretor da PF, encaminhou a Moraes ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.

    O magistrado aponta ainda um monitoramento irregular por parte da inteligência policial "ao menos há mais de 30 dias".

    "Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", diz o magistrado no documento.

  13. Sessão extraordinária no Supremo foi convocada para hoje

    Na mesma decisão, Mendonça pediu o afastamento do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.

    O ministro solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda nesta terça-feira.

  14. Mendonça afasta Andrei Rodrigues da PF e agrava crise no Supremo

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

    Em sua decisão, Mendonça determina a abertura imediata de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Rodrigues na Corregedoria da PF.