Ausente do debate entre candidatos à presidência promovido pela Rede Bandeirantes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrevista neste domingo à Rede Record.
Na entrevista de 20 minutos, transmitida durante o debate, Lula respondeu a perguntas sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre segurança pública, violência contra a mulher, sobre economia e sobre as investigações contra o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
"Se alguém está agindo de forma equivocada, esse alguém vai ter que ser investigado", afirmou o presidente. "Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem direito de provar se é inocente."
"Mas se alguém cometeu erro, e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar", continuou Lula.
Lulinha é investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um deles apura sua suposta atuação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, na sua tentativa de fornecer canabidiol para o Sistema Único de Saúde.
A Polícia Federal apura se Lulinha atuou para facilitar o acesso de Antunes a autoridades do Ministério da Saúde. Há registros de que o lobista esteve cinco vezes na pasta entre 2024 e 2025, mas não foi fechado contrato para fornecimento do produto.
Apontado pela PF como um dos principais operadores das fraudes no INSS, Antunes está preso preventivamente desde setembro. As investigações também apuram o envolvimento da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha e elo entre ele e Antunes, sendo suspeita de ter intermediado pagamentos para o filho do presidente.
O segundo inquérito envolve suposta atuação do filho do presidente para facilitar contratos com a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência).
Há poucos detalhes públicos sobre a terceira investigação, que também apura suposto tráfico de influência de Lulinha no governo federal.
"Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele, e ele sabe disso", afirmou Lula na entrevista deste domingo.