Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump

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- Author, Bernd Debusmann Jr.
- Role, Repórter na Casa Branca, BBC News
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- Tempo de leitura: 6 min
Poucas pessoas na órbita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm aparecido com tanta frequência ao seu lado nos últimos anos quanto Natalie Harp.
Harp tem 35 anos e é uma das auxiliares mais leais do presidente americano. Uma de suas tarefas é digitar as postagens de Trump na rede Truth Social, entre outras responsabilidades importantes.
Uma das pessoas há mais tempo a serviço do presidente, Harp ficou novamente sob os holofotes esta semana ao ter seu nome mencionado pelo senador democrata da Georgia Jon Ossoff, crítico frequente de Trump, durante um discurso que viralizou na internet.
Ossoff criticou a viagem de Trump "com Natalie no seu palácio voador aparentemente desprotegido, ofertado pelo emir do Catar".
Ele se referia ao novo avião Air Force One e aos relatos de que Harp havia viajado com Trump e um pequeno grupo de pessoas quando ele trocou secretamente de avião, ao sair da Turquia no mês passado.
Aqui está o que se sabe sobre a assistente do presidente americano, chamada de "guardiã" por alguns e de "cobertor de conforto", por outros.
Caminho não ortodoxo para a Casa Branca
Natural da Califórnia, Harp faz parte de uma família cristã conservadora. Ela seguiu um caminho não ortodoxo para chegar a uma Casa Branca que, por si só, já é fora do convencional.
Harp ficou famosa ao afirmar que Trump salvou sua vida.
Durante seu primeiro mandato, Donald Trump promulgou a Lei Direito de Tentar, que oferece a alguns pacientes maior acesso a tratamentos experimentais para certas condições de saúde. E Harp fez uso dessa lei para tratar do seu câncer dos ossos.
Ao contar sua experiência, ela rapidamente conquistou proeminência e popularidade na ala de Trump no Partido Republicano conhecida como Maga (sigla em inglês para Make America Great Again — faça a América grande novamente, em tradução literal).
Pouco tempo depois, ela entrou para o comitê consultivo da campanha para a reeleição de Trump, em 2020.
"Quando a quimioterapia que havia no mercado não deu resultados, ninguém queria me incluir nos seus estudos clínicos", declarou ela na Convenção Nacional Republicana de 2020.
"Eles não queriam me dar o direito de tentar tratamentos experimentais, sr. Presidente. Mas você fez isso e, sem você, eu teria morrido esperando pela aprovação."
Após o evento, Trump afirmou que "ela iluminou a tela da TV como muito poucas pessoas já vi fazerem".
Após a derrota de Trump naquela eleição, Harp passou a apresentar um programa na rede de TV conservadora OAN (One America News), onde ficou conhecida como feroz defensora de Trump e por promover afirmações falsas de que ele teria vencido a eleição de 2020.
Harp deixou a rede em 2022 para participar da nova campanha presidencial de Donald Trump.

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A maior parte dos relatos da opinião de Trump sobre Harp vem de fontes anônimas, em livros escritos por jornalistas como Maggie Haberman, Jonathan Swan ou Michael Wolff. Sabe-se muito pouco sobre sua vida particular.
"Trump é tudo o que minha mãe nos ensinou a respeitar", declarou na terça-feira (18/8) seu irmão Preston Harp, em entrevista à rede de TV americana CNN. "Por isso, acho honestamente que é dali que vem seu afeto por Trump."
Ele destacou que sua irmã era obcecada pela Casa Branca desde jovem e havia escrito cartas para presidentes anteriores, incluindo George W. Bush durante a Guerra do Iraque.
Ele afirmou à CNN que o sonho dela "finalmente se tornou realidade", quando Natalie chegou à Casa Branca. E que sua irmã era "a maior fã" de Trump e que "é por isso, provavelmente, que ele gosta dela".
"E ela tem boa aparência, tem boa personalidade. Ela acha que ele salvou sua vida e alguém que convive com este tipo de gratidão deve se sentir muito bem", conclui ele.
Atualmente, o cargo oficial de Harp na Casa Branca é de assessora-executiva do presidente. Tipicamente, esta é uma função de escalão inferior, que inclui funções comuns (e, ao mesmo tempo, fundamentais) como o gerenciamento da logística, agenda, fluxo de comunicações e o trabalho de secretária propriamente dito.
Mas, segundo todos os relatos, Harp deu um novo significado a esse cargo. E seu perfil é bastante superior ao das suas predecessoras, como Madeleine Westerhout, no primeiro mandato de Donald Trump.
Qual é a influência de Harp?
No início da semana, a repórter da CNN Kristen Holmes questionou Trump sobre os comentários de Ossof.
A Casa Branca reagiu furiosamente na sua conta oficial no X, afirmando que Holmes havia dado um "golpe baixo" na funcionária.
"Algum dia, seus filhos saberão da sua pergunta desumana e repugnante", segundo outra postagem dirigida a Holmes. "Eles ficarão enojados e constrangidos por terem uma mãe tão insensível e vingativa."
A presença de Harp como membra da equipe de Trump tem sido constante.
Os repórteres da Casa Branca a observam frequentemente a poucos metros de distância de Trump no Escritório Oval ou a bordo do Air Force One, durante muitas das viagens domésticas e internacionais do presidente.
"Ela está sempre por perto", declarou à BBC uma fonte próxima da Casa Branca. "Literalmente, sempre."
Jornalistas e pessoas ligadas à Casa Branca costumam se referir a Harp como a "impressora humana", pois ela é vista com frequência carregando uma impressora portátil para fornecer a Trump cópias em papel de reportagens e postagens nas redes sociais, sua forma preferida de leitura.
Na prática, isso significa que Harp detém capacidade fora do comum de controlar as informações ou atualizações a que Trump tem acesso, segundo outra fonte familiar com as operações da Casa Branca.
E Harp também serve como uma espécie de escriba de Trump nas redes sociais, postando mensagens na conta do presidente na rede Truth Social em nome dele.
Em uma imagem amplamente compartilhada após os comentários de Ossof, Harp aparece digitando uma postagem, no próprio estilo de redação do presidente, enquanto ele dita para ela e assiste a um discurso de Kamala Harris, em 2024.
Em meio ao recente destaque de Harp na imprensa, a Casa Branca a descreveu como colaboradora "reconhecida e de confiança", embora Trump raramente fale sobre ela em frente às câmeras.
Ossof foi um dos muitos críticos de Trump que observaram que Harp supostamente estava no avião usado pelo presidente para deixar a Turquia, depois que os Estados Unidos supostamente receberam informações sobre uma ameaça do Irã.
A jornalista Maggie Haberman, que cobriu extensamente os dois mandatos de Trump, respondeu a uma questão formulada pela rede de notícias MSNOW sobre os motivos que levaram Trump a levar Harp com ele no avião secreto.
"Porque ela é uma espécie de objeto de apego, na falta de uma expressão melhor para defini-la, um cobertor de conforto", afirmou ela.
Haberman e Jonathan Swan noticiaram em 2024, no jornal The New York Times, que Harp teria supostamente escrito, em uma carta para Trump: "Você é tudo o que importa para mim."



























