25 de julho, 2006 - 15h43 GMT (12h43 Brasília)
Os credores da companhia russa de petróleo Yukos decidiram por unanimidade nesta terça-feira pedir à Justiça a falência da empresa.
O tribunal envolvido deve quase certamente concordar com o pedido em uma audiência marcada para 1º de agosto e nomear um interventor para vender seus ativos.
Os credores rejeitaram um plano de última hora para a recuperação da empresa apresentado pela direção da Yukos. A decisão deve indicar o fim do que já foi a maior empresa privada de petróleo do país.
As autoridades tributárias da Rússia e a gigante estatal do petróleo Rosneft estão entre os credores a quem a Yukos deve US$ 17 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões).
Os ativos a serem vendidos incluem algumas das maiores refinarias da Rússia, com a Rosneft como um dos maiores beneficiários dessa venda.
"Blefe"
Na semana passada, Steven Theede pediu demissão da presidência da Yukos após denunciar a reunião de credores como um “blefe”.
A Yukos vinha lutando para sobreviver após uma série de exigências tributárias que totalizavam US$ 27 bilhões.
A empresa diz que as exigências estão ligadas à campanha política contra seu fundador, Mikhail Khordokovsky, atualmente cumprindo uma longa sentença de prisão na Sibéria.
Em 2004, a cobrança tributária retroativa levou à expropriação da principal subsidiária da Yukos, a Yuganskneftegaz. A subsidiária acabou sendo vendida em um leilão para a Rosneft.
A venda levou a uma contestação legal da Yukos quando as ações da Rosneft passaram a ser comercializadas na Bolsa de Valores de Londres, na semana passada.
Em sua carta de demissão, Theede disse que a reunião de credores teria participação “daqueles que têm a intenção de destruir o resto da Yukos e tomar seus ativos sem considerações sérias sobre o nosso plano de reestruturação financeira”.
Ele acrescentou ter sido informado de que o administrador de falência nomeado pela Justiça, Eduard Rebgun, havia preparado um relatório para os credores dizendo que uma reestruturação financeira seria impossível e que a companhia deveria ser liquidada.