Auxílio Brasil: o que se sabe sobre 'novo Bolsa Família' de Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro rodeado por parlamentares durante entrega da MP do Auxílio Brasil
Legenda da foto, Proposta entregue ao Congresso não detalha valores do benefício
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Tempo de leitura: 3 min

O presidente Jair Bolsonaro entregou nesta segunda-feira (09/08) ao Congresso a Medida Provisória que cria o Auxílio Brasil, programa social que substituirá o Bolsa Família.

Após reunião da comitiva presidencial com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ministro da Cidadania, João Roma, divulgou as primeiras informações sobre o programa.

Segundo ele, o número de beneficiários deve ser ampliado e incluir outros 2 milhões de pessoas além dos atuais 14,6 milhões. Caso a MP seja aprovada, a expectativa é que as parcelas comecem a ser pagas em novembro.

O valor do benefício, ainda de acordo com o ministro, deve ser definido em setembro. Questionado sobre o assunto na manhã de segunda, Bolsonaro adiantou que ele seria 50% maior do que o valor pago hoje pelo Bolsa Família (em média, R$ 190).

Caso a cifra seja confirmada, o benefício subiria para algo em torno de R$ 285, dentro da margem que a equipe econômica havia sugerido, de até R$ 300, para manter o equilíbrio das contas públicas. A ala política do governo, conforme noticiado nas últimas semanas, vinha defendendo valor maior, de R$ 400.

Na semana passada, diante de uma alta forte do dólar, reflexo das notícias sobre a queda de braço dentro do governo, Lira colocou panos quentes e afirmou que o Bolsa Família obedeceria as limitações impostas pelo Orçamento e que o Congresso não está disposto a romper o teto de gastos.

Presidente Jair Bolsonaro, Arthur Lira e Paulo Guedes sentados conversando
Legenda da foto, Presidente afirmou que novo programa pagará 50% mais que Bolsa Família

Desde o ano passado, o governo vem tentando criar um novo programa de transferência de renda, mas vinha tendo dificuldades de encontrar espaço do Orçamento para financiá-lo.

Entre setembro e outubro de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a ventilar diferentes possibilidades de fontes para os recursos, como a recriação da CPMF, o uso de parte dos recursos do Fundeb, fundo destinado à educação básica, e o parcelamento do pagamento de precatórios. As sugestões foram muito mal recebidas pelo mercado e por especialistas e abandonadas naquele momento.

Desta vez, a equipe econômica voltou a propor o parcelamento do pagamento dos precatórios, que são dívidas assumidas pela União resultado de processos judiciais com trânsito em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso. O governo vai enviar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relativa aos precatórios também nesta segunda.

Modalidades

No início da tarde, o site do Ministério da Cidadania trouxe novos detalhes sobre o programa, que é formado por nove modalidades, sendo as três primeiras o "núcleo básico":

São elas:

- "Benefício Primeira Infância", pago às famílias com crianças entre zero e 36 meses incompletos;

- "Benefício Composição Familiar", pago às famílias com jovens até 21 anos (no incremento pago pelo Bolsa Família por membros jovens, a idade máxima era de 17 anos);

- "Benefício de Superação da Extrema Pobreza", residual dado às famílias caso mesmo com os benefícios anteriores a renda familiar per capita não supere a linha de pobreza extrema.

As demais modalidades incluem:

- "Bolsa de Iniciação Científica Junior", 12 parcelas mensais pagas a estudantes com bom desempenho em competições acadêmicas e científicas e que sejam beneficiários do Auxílio Brasil;

- "Auxílio Criança Cidadã", benefício pago aos chefes de família que consigam emprego e não encontrem vagas em creches para deixar os filhos de 0 a 48 meses;

- "Auxílio Inclusão Produtiva Rural", pago por até 36 meses aos agricultores familiares inscritos no Cadastro Único;

- "Auxílio Inclusão Produtiva Urbana", para beneficiários do Auxílio Brasil que comprovem que têm emprego com carteira assinada;

- "Benefício Compensatório de Transição", pago aos atuais beneficiários do Bolsa Família que eventualmente perderem parte do valor recebido por conta das mudanças trazidas pelo Auxílio Brasil (concedido durante a implementação do novo programa e mantido até que haja majoração do valor recebido pela família ou até que não se enquadre mais nos critérios de elegibilidade)

- "Auxílio Esporte Escolar", destinado a estudantes entre 12 e 17 anos que sejam membros de famílias beneficiárias e que se destacarem nos Jogos Escolares Brasileiros

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