Bolsonaro volta a defender cloroquina em novo pronunciamento em rede nacional

O presidente da República Jair Bolsonaro grava pronunciamento no Planalto
Legenda da foto, Bolsonaro adotou tom comedido em seu quinto pronunciamento desde o início da crise
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Tempo de leitura: 3 min

Em pronunciamento na noite desta quarta-feira (08/04), o presidente da República Jair Bolsonaro voltou a defender o uso do medicamento hidroxicloroquina no tratamento da doença covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Este é o quinto pronunciamento de Bolsonaro desde o começo de março, quando a epidemia se intensificou no Brasil.

A hidroxicloroquina é um medicamento utilizado no Brasil desde os anos 1950. É indicada para o tratamento de várias doenças, como artrite reumatóide, lúpus e malária.

A droga vem sendo usada de forma experimental em outros países, apesar de não existirem testes clínicos suficientes para garantir que ela seja eficaz ou segura no tratamento da covid-19. Os efeitos colaterais podem incluir arritmia cardíaca e possíveis danos à visão e à audição. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a droga deve ser usada com muito cuidado, pois pode ser letal em algumas circunstâncias.

O pronunciamento de hoje também foi o primeiro no qual Bolsonaro começou sua fala prestando solidariedade às famílias das vítimas da doença. Nesta quarta-feira, o Brasil atingiu a marca de 800 mortos pela doença.

A fala do presidente da República foi acompanhada de "panelaços" em protesto contra o governo em algumas capitais brasileiras, como São Paulo (SP).

Bolsonaro falou por quase cinco minutos em rede nacional de rádio e TV. Além da cloroquina, o presidente voltou a frisar sua preocupação com a economia — ele teme os efeitos prejudiciais do fechamento do comércio e do distanciamento social imposto em vários Estados brasileiros.

Sombras de duas pessoas em apartamentos diferentes batendo panela da varanda
Legenda da foto, Panelaços têm sido constantes desde os primeiros pronunciamentos do presidente

"Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver: o vírus e o desemprego. Que deveriam ser tratados simultaneamente. Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração. Espero que, brevemente, saiamos juntos e mais fortes, para que possamos melhor desenvolver o nosso país", disse Bolsonaro.

O presidente aproveitou o pronunciamento ainda para agradecer ao primeiro-ministro da Índia, o conservador Narendra Modi, pelo envio ao Brasil de matéria prima para a fabricação de comprimidos de hidroxicloroquina. O material chegará ao Brasil até sábado, disse. "Agradeço ao primeiro ministro Narendra Modi e ao povo indiano por esta ajuda tão oportuna ao povo brasileiro", disse.

Bolsonaro também destacou que o governo começará amanhã os pagamentos de R$ 600 do auxílio emergencial a trabalhadores informais e desempregados.

Bolsonaro cita médico Roberto Kalil para defender cloroquina

Ao falar sobre a cloroquina, Bolsonaro disse que o medicamento pode ser usado no tratamento da doença "desde sua fase inicial" — o que contraria a recomendação atual do Ministério da Saúde, de que o medicamento seja usado por pacientes críticos ou internados em hospitais.

Bolsonaro também mencionou o caso do médico Roberto Kalil Filho, cardiologista de São Paulo que contraiu o novo coronavírus e usou a cloroquina em seu próprio tratamento, segundo Bolsonaro.

"Há pouco conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos. Disse-me mais. Que mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento, agora, para não se arrepender no futuro", disse o presidente, dando parabéns ao médico.

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