O que Lula pediu a Trump em nova conversa por telefone

Montagem mostra fotos de Lula e Trump
Legenda da foto, Ligação aconteceu por volta de 12h e durou cerca de 40 minutos, segundo Palácio do Planalto
    • Author, Iara Diniz
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
    • Author, Leandro Prazeres
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
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  • Tempo de leitura: 3 min

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (2/12) para pedir revisão das tarifas sobre produtos brasileiros e falar sobre combate ao crime organizado.

As crescentes tensões entre EUA e Venezuela não foram abordadas durante a ligação. Lula já criticou o envio de forças miltares americanas para o Mar do Caribe e classificou os ataques a embarcações como "intervenções ilegais".

Segundo informações divulgadas pelo governo, a chamada aconteceu às 12h (horário de Brasília) e teve duração de 40 minutos.

Na conversa, Lula apontou que, apesar da retirada da tarifa de 40% sobre alguns produtos, ainda há mercadorias que estão sendo taxadas e, por isso, são necessárias novas negociações.

A situação dos manufaturados, especialmente, preocupa o governo, segundo informou à BBC Brasil uma fonte do Palácio no Planalto, que pediu para não ser identificada.

Segundo essa fonte, a ligação não teve como objetivo pressionar o governo americano, mas manter o assunto em pauta e avançar para reduzir ao máximo o tarifaço.

Trump e Lula teriam combinado de manter as reuniões das equipes negociadoras e o presidente americano disse estar aberto pra cooperação.

'Eu gosto dele'

Mais tarde, em entrevista a jornalistas na Casa Branca, Trump disse que teve uma ótima conversa com Lula e que gosta do presidente brasileiro.

"Falamos sobre comércio. Falamos sobre sanções, porque, como você sabe, eu as sancionei em relação a certas coisas que aconteceram. Mas tivemos uma conversa muito boa", disse.

"Eu gosto dele', acrescentou.

Presidente Trump em coletiva de imprensa na Casa Branca
Legenda da foto, Trump disse que teve uma ótima conversa com Lula por telefone

Combate ao crime organizado

O combate ao crime organizado também foi pauta durante a ligação.

Os dois presidentes têm posições distintas no assunto. O governo americano já quis classificar facções brasileiras como organizações terroristas, e solicitou que o Brasil adotasse a designação.

O governo brasileiro foi contra e argumentou que, apesar de suas atividades criminosas, esses grupos não se enquadram na definição de organização terrorista, que tem seus atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito.

Além disso, o Brasil costuma tratar o combate ao crime organizado com políticas internas e cooperação regional, por preocupações de soberania e segurança.

Apesar disso, o Planalto informou que Lula expressou para Trump seu desejo em reforçar a cooperação com os EUA para enfrentar o crime organizado internacional.

O presidente brasileiro teria destacado operações recentes realizadas no país para "asfixiar financeiramente" organizações criminosas, indicando a existência de ramificações que operam do exterior.

Trump, por sua vez, teria mostrado "total disposição em trabalhar junto com o Brasil" e apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países.

Segundo a fonte ouvida pela BBC, o presidente brasileiro não chegou a mencionar a operação policial que envolveu a Refit, dona da Refinaria de Manguinhos, e que tem algumas empresas no estado de Delaware, nos EUA.

Mas, para o governo brasileiro, é preciso combater financiadores do crime organizado que atuam no país norte-americano.

A Refit é investigada por manter relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, contra postos de combustíveis e fundos de investimento usados para lavar dinheiro do crime organizado.

O caso notoriedade por ter chegado ao coração financeiro de São Paulo, a avenida Brigadeiro Faria Lima.