EUA acusam Maduro de comandar tortura na Venezuela: entenda processo

O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, participa de sua audiência de acusação, na qual enfrenta acusações federais nos EUA, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, no Tribunal Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan, Nova York, em 5 de janeiro de 2026
Legenda da foto, Maduro está preso nos EUA desde janeiro de 2026
    • Author, Vanessa Buschschlüter
    • Role, Latin America online editor
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  • Tempo de leitura: 2 min

Promotores nos Estados Unidos acusaram o ex-líder da Venezuela Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, de conspiração para cometer tortura.

As novas acusações contra o casal foram divulgadas na quinta-feira (8/10) e se somam às acusações de tráfico de drogas e de armas já apresentadas contra os dois, que eles negam.

Desde janeiro, Maduro e Flores estão em um centro de detenção no Brooklyn, para onde foram levados depois de serem presos em uma operação dos EUA realizada de madrugada na capital venezuelana, Caracas.

Grupos de direitos humanos na Venezuela e ex-detentos denunciam, há muito tempo, o que descrevem como "tortura sistemática" nas prisões venezuelanas.

As novas acusações se referem à suposta tortura de cidadãos americanos que estavam presos na Venezuela durante o governo de Maduro.

A nova acusação formal, divulgada na quinta-feira, afirma que Maduro e a esposa tentaram "se perpetuar no poder" ao comandar "um sistema de repressão baseado na violência contra a oposição política, detenções arbitrárias e tortura de presos, incluindo cidadãos americanos".

Segundo o documento, entre os métodos de tortura estavam "choques elétricos, asfixia, estupro, nudez forçada, isolamento prolongado, privação de alimentos, celas de castigo e tortura psicológica".

Os promotores afirmam que a tortura psicológica incluía ameaças de matar familiares das vítimas, inclusive crianças.

Segundo a acusação, o objetivo da repressão era garantir a permanência de Maduro no poder.

A promotoria também acusa Flores de ter desempenhado um papel fundamental na criação do sistema de repressão. Segundo os promotores, ela ordenava que pessoas fossem torturadas e recebia informações sobre a tortura de presos específicos.

O documento judicial afirma que ela teria agido dessa forma para proteger familiares envolvidos em atividades ilegais.

As acusações da nova denúncia são semelhantes a relatos feitos há anos por pessoas que foram presas e posteriormente libertadas no país.

Javier Tarazona, chefe de uma organização de direitos humanos na Venezuela, contou ao jornalista da BBC Mundo Norberto Paredes, no início deste ano, que ele e seu irmão ficaram detidos por 46 dias em uma pequena cela de castigo após serem presos arbitrariamente.

Outro ex-detento, Ángel Godoy, contou à BBC Mundo que ficou isolado por meses e não pôde entrar em contato com a mulher, que, por sua vez, não sabia onde ele estava.

O julgamento de Maduro e Flores está previsto para começar em junho de 2027.