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Os irmãos brasileiros separados por adoção que se reuniram na Itália
Os irmãos Fernando, Juliana e Jaqueline viviam juntos em um abrigo para crianças em Brasília desde que haviam sido abandonados pelos pais. Fernando tinha apenas nove meses quando deu entrada na instituição.
Em 2014, o caçula, então com sete anos, foi adotado por um casal de italianos, Lia e Massimiliano Simei e se mudou para a Itália.
A adoção, cada vez mais difícil conforme a idade da criança avança, deu a Fernando uma nova vida. Mas significou também a separação das únicas referências de família que ele tinha até então: suas irmãs mais velhas.
Mas a distância durou pouco. A Vara da Infância do Distrito Federal agiu rápido e conseguiu uni-los novamente, seis meses depois.
Juliana e Jaqueline, hoje com 12 e 15 anos, foram adotadas por outra família italiana e também foram viver na Itália.
No Brasil, a maior parte dos pais, candidatos à adoção, prefere bebês ou crianças de até cinco anos. A exigência é menor por famílias estrangeiras, o que tornou possível não apenas a adoção de Fernando como também a reunião com as irmãs.
Hoje, eles se veem com frequência e passam as férias juntos. Fernando, por sua vez, está completamente adaptado à vida nova.
Ele fala italiano fluentemente, toca piano e tira boas notas na escola, segundo seus pais.
"O meu filho é como se sempre tivesse sido nosso filho, como se tivesse nascido na nossa família. O meu filho é tudo para nós", diz à BBC Brasil Massimiliano.
Ele se lembra com detalhes do dia em que conheceu Fernando, em Brasília, após meses de trocas de mensagens e fotos.
"O primeiro contato foi no restaurante Mangai, em Brasília. Ele chegou junto com as assistentes sociais, tímido, com mãos nos bolsos e um chapeuzinho com uma viseira para cobrir um pouco o rosto", relata.
Fernando contou aos pais, depois, que sentiu muito "medo e felicidade ao mesmo tempo", ao conhecer aqueles que poderiam dar a ele um lar e uma família tão longe do Brasil.
"Diferentemente dos relatos dos assistentes sociais, que falavam de uma criança que não aceitava contato físico, ele foi imediatamente feliz nos nossos abraços e carinhos", conta o pai adotivo, emocionado.
"A convivência começou linda. Massimiliano e Lia novos pais no mundo! De um lado, conhecíamos um dia após o outro os medos, as capacidades, a inteligência e os sonhos do pequenininho. De outro, ele conhecia a capacidade, o amor, a paciência e os limites dos novos pais."
Massimiliano aconselha os pais adotivos a terem paciência e não caírem no risco de encararem o filho adotivo como adulto. Eles são crianças com medos e anseios, mas também com uma enorme capacidade de amar, destaca o italiano.
"Com amor e paciência, cuidem de seu filho, eduquem e repreendam quando necessário. Pode acontecer de um dia ele dizer que vocês não são pais dele. Nunca duvide de que vocês são, sim, os pais. E repita isso para ele."
Reportagem: Nathalia Passarinho / Edição do vídeo: Luis Barrucho